"Meu aeroporto, minha vida" | Revista Aeroportos Revista Aeroportos
"Meu aeroporto, minha vida" Edição 3

 

Caito Maia viaja só de primeira classe ou de executiva, mas conhece bem a econômica
Passageiro assíduo, ele segue à risca algumas regras aprendidas na prática da vida. "Levo sempre uma muda de roupa na bagagem de mão para o caso de extravio da mala. Em viagens mais longas, protejo a bagagem com aquele plástico oferecido nos aeroportos para preservar a mala. E, geralmente, utilizo duas malas para dividir o peso da bagagem e poder trazer mais coisas". Outra dica: evita o jantar servido no avião, rejeita bebidas alcoólicas e procura pegar logo no sono para acordar dispostos para o trabalho, no dia seguinte. "Faço um bom café da manhã e estou pronto para a luta."

Conhece muito bem cada uma das companhias aéreas. "A que mais me impressiona é a Fly Emirates", compara. A empresa dispõe de um computador a bordo que simula, no teto do avião, o estágio do dia lá fora. Explica: "Se está amanhecendo, você olha para cima e vê refletido o nascer do sol. Á noite, o teto fica estrelado. É espetacular. Além de proporcionar aos passageiros um ambiente muito agradável, ajuda a reduzir o jet lag", garante, referindo-se à fadiga de viagem decorrente da alteração do ritmo circadiano (período de 24 horas sobre o qual se baseia o ciclo biológico do organismo humano), que acomete viajantes que percorrem longas distâncias.

Caito viaja, em geral, de primeira classe ou classe executiva. Mas nem sempre foi assim. No início dos anos 1990, ele vendia óculos de sol, no atacado, para grandes grifes paulistas, como a Fórum, Zoomp e Carmim."Vendi mais do que tinha e acabei quebrando", confessa. Para não sair do mercado, montou um estande no Mercado Mundo Mix, uma espécie de feira sazonal de moda alternativa, de grande sucesso entre jovens paulistas, onde vendia óculos de sol com design focado em tendências fashion."Não existiu melhor escola de negócios", comenta. Foi ali que nasceu a marca Chilli Beans, em 1996.

Na época, com o dólar cotado a R$ 1, começou a comprar mercadoria nos Estados Unidos, mais precisamente,em Nova Iorque. No ano seguinte,instalou uma loja de 10 metros quadrados na Galeria Ouro Fino, na Rua Augusta em São Paulo. Os negócios "bombavam", como ele diz, e as viagens ficavam cada vez mais freqüentes."Naquele período, creio ter viajado 40 vezes a Nova Iorque, sempre de em classe turística, procurando as passagens mais baratas", ele conta.

Foi uma fase difícil. Embarcava em Guarulhos geralmente às 4ª feiras, à noite, e amanhecia no aeroporto de Newark, um dos três que servem Nova Iorque. "Pegava o metrô para a cidade, fazia compras e almoçava num restaurante chinês que oferecia refeições por US$ 5. Eu não tinha dinheiro para pagar mais do que isso", lembra. À noite, voltava de metrô a Newark. "Antes de embarcar de volta para o Brasil, arranjava um jeito de tomar banho no aeroporto, sempre em condições muito precárias." Chegava a São Paulo exausto.

Os negócios prosperaram e ele aceitou um convite para se instalar num quiosque dentro do Shopping Villa Lobos, na zona Oeste da capital paulista. Em 1998, já tinha mais de 20 pontos de vendas. Atualmente, Caito contabiliza 240 lojas no Brasil - próprias e franqueadas -, oito em Portugal, duas no Panamá e uma em Los Angeles, para onde estava de partida quando concedeu essa entrevista à revista Aeroportos.


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