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Um Estado em transformação Edição 3

 

Além da agropecuária, Mato Grosso do Sul investe no turismo como vocação
A matriz econômica de Mato Grosso do Sul está em transformação. O Estado segue em posição de destaque na produção agropecuária, mas a geração de bioenergia e, sobretudo o turismo, começam a ganhar peso na economia regional. O Pantanal recebe, anualmente, 1,1 milhão de turistas, 10% deles estrangeiros, e o governo apenas iniciou a exploração de todo o seu potencial turístico no Norte e Nordeste do Estado.

O governador de Mato Grosso do Sul, André Pucinelli, planeja investimentos pesados na área de infraestrutura, incluindo aí a construção de 16 aeroportos regionais. E aposta na possibilidade da capital, Campo Grande, ser uma das cidades escolhidas para sediar um dos grupos da Copa do Mundo 2014. Nesse caso, um dos principais investimentos previstos será a da implantação do aeroporto industrial, a partir da ampliação do Aeroporto Internacional de Campo Grande, com a construção de nova pista, novos terminais e equipamentos. O governo, ele afirma, já está fazendo a sua parte, tendo já oferecido à Infraero a área necessária para o empreendimento. Leia abaixo a íntegra da entrevista de Pucinelli.

Quais são as principais vocações econômicas de Mato Grosso do Sul?
Nosso Mato Grosso do Sul, tradicionalmente, foi um Estado fornecedor de matéria prima oriunda do campo. Por muito tempo o binômio boi-soja predominou na nossa economia em função das nossas terras férteis e da falta de uma política de desenvolvimento que partisse da necessidade imperiosa de diversificarmos a nossa matriz econômica.
Hoje, podemos nos defrontar com uma nova realidade. O Estado se industrializa, atrai investimentos, melhora sua infraestrutura de transporte, comunicação e energia e, por meio do Zoneamento Ecológico Econômico estamos prontos para traçar novos horizontes de progresso.O campo continua sendo uma referência, mas já podemos colher frutos na geração de bio energia, no florestamento e em outras atividades. Nosso comércio ganha uma nova dimensão e com os investimentos em infraestrutura,estamos nos credenciando para tirar todo o proveito possível de nossa condição de epicentro do Mercosul.Hoje no estado, todos os ramos de atividades econômicas estão sendo impulsionados de forma expressiva.

O Turismo, certamente, está entre elas.Qual é a participação do Turismo na receita do Estado? Qual é, na sua avaliação, a participação desejada?
Com a nossa matriz econômica em franca transformação,não seria prudente estabelecer uma parcela de participação do turismo conjunto da receita. O que desejamos é que ela cresça nominal e proporcionalmente de forma a ocupar um lugar de destaque no conjunto das nossas receitas.Mais que isso, desejamos que ela cresça de forma sustentada, gerando empregos e renda, numa cadeia produtiva consistente.

Qual a média anual de turistas que visitam o Estado? Qual a origem desses turistas e qual o principal meio de transporte utilizado para chegar ao Estado?
Mato Grosso do Sul recebe em torno de 1,1 milhão de turistas ano. A maior parte, cerca de 90 por cento, corresponde ao turismo interno com visitantes de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso, principalmente. Outros pouco mais de 10 por cento vêm do exterior. Os primeiros alcançam nossos destinos por via terrestre principalmente. Já os estrangeiros chegam a Mato Grosso do Sul através dos nossos aeroportos.

Quais os investimentos previstos para os próximos anos?
Vários investimentos públicos na atividade de turismo estão previstos para os próximos anos, principalmente na infraestrutura. Estamos buscando junto ao governo federal, especificamente junto à Anac, a homologação de 16 aeroportos regionais, essenciais ao desenvolvimento da atividade turística. O Estado é parceiro no investimento desde o projeto até a execução da obra. Estamos avançando e creio que chegaremos a bom termo até 2010. Ao mesmo tempo, estendemos ao turismo todos os incentivos fiscais que já são oferecidos a outras atividades, visando atrair a iniciativa privada. O levantamento de nosso potencial, a organização de novas rotas e destinos são outras iniciativas que estamos adotando.

Há déficit na oferta de serviços ao turista?
Creio que temos oferta adequada de serviços, até porque o turismo é uma atividade tão dinâmica e dinamizadora dos mercados que oferta e procura rapidamente se adéquam, bastando
para isso apoio e gerenciamento, condições que temos sempre procurado colocar à disposição do "trade".E nossa infraestrutura, se ainda não é a ideal, só confirma que continuamos
a ser um dos melhores destinos também para a iniciativa privada que deseja investir no turismo.

O potencial turístico do Pantanal já está próximo do seu limite? Quais são os principais pontos que ainda podem ser explorados?
Nós somos o Estado do Pantanal.Temos praticamente 70 por cento da planície em nosso território, portanto ao contrário da questão levantada, estamos praticamente engatinhando em termos de potencial, com tudo que já oferecemos. E não apenas quanto ao Pantanal ou à região de Bonito, que também se constitui num atrativo importante. Mato Grosso do Sul tem roteiros que ainda estão sendo estruturados como a Rota Norte que, entre outros detalhes, refaz a trajetória das monções e bandeiras. Temos a região Nordeste, rica em águas, temos o cerrado e seus encantos, enfim, belezas e recursos naturais que abem horizontes novos e infindáveis para o nosso turismo. E não é demais lembrar que estamos entre os melhores destinos também para o turismo de eventos, para o turismo tecnológico e para o turismo
de compras, considerando nossas amplas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia.

Se Campo Grande for escolhida entre as cidades brasileiras para sediar um grupo da Copa do
Mundo de 2014, qual será o impacto na economia regional? Quais seriam as principais demandas de investimentos?
Já que estamos aqui na revista Aeroportos, vou direto ao assunto.A principal, o investimento mais importante e de mais impacto na nossa economia, será sem dúvida a implantação do aeroporto industrial a partir da ampliação das estruturas existentes e da construção de nova pista, novos terminais e equipamentos. E fazemos, nesse contexto, a nossa parte disponibilizando para a Infraero a área necessária a esses investimentos. Somos parceiros pro ativos nesse processo porque entendemos a importância dessa obra para o futuro do Estado e da Capital. Caso sejamos escolhidos - e creio que seremos - o principal será o adiantamento do cronograma, de forma a garantir que o novo aeroporto esteja pronto até 2014.Além disso, haverá outros investimentos no sistema viário, no transporte e mobilidade urbana e na infraestrutura desportiva (praças de esporte,mega arena, locais para fun fest e para treinamento, entre outros). A iniciativa privada será parceira desses empreendimentos e ainda poderá investir também em hotelaria e serviços aproveitando
a oportunidade, como acontece em todas as cidades que recebem um evento desse porte.

Se campo Grande não for escolhida, quais os planos para captar recursos para o setor de
turismo?
Essa é uma hipótese que não consideramos por enquanto... Portanto,não vamos falar isso agora. O turismo tem entre nós vocação para o crescimento,portanto com horizontes cada
vez mais promissores.

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Um aeroporto em expansão

O Aeroporto Internacional de Campo Grande,no Mato Grosso do Sul, cresce de forma planejada e organizada desde 1953, ano em que foi inaugurada sua pista principal. A partir de 1975 passou a se administrado pela Infraero e recebeu grandes benefícios em obras. Na década de 1980, o terminal de passageiros foi ampliado de 1.500 para 5.000 metros quadrados e, já no final da década de 1990,cresceu ainda mais, passando para 6.082 metros quadrados, com a criação da ala internacional. Possui duas pistas homologadas para pousos e decolagens.
A pista principal tem 2.600 metros de comprimento por 45 metro de largura, e a outra, classificada como secundária, tem dimensões de 2.500 metros de comprimento por 23 metros de largura. O operação do Aeroporto Internacional de Campo Grande é compartilhada com a Base Aérea de Campo Grande.O aeroporto contabiliza cerca de 100 pousos e decolagens por dia. Em 2008 o movimento atingiu 835 mil passageiros e 5,3 milhões de toneladas de cargas.
Em 2007, o número de passageiros foi de 775 mil e o de cargas, 4,9 milhões de toneladas.


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